| |
|home|
|aktuell| |tips&termine|
|links| |info-börse|
|portuñol| |studium|
|fachschaft|
-Deutsche Welle - Português para a África e Europa-
"Ciências Regionais da América Latina"
Transmitido em meados de Dezembro de 1999
Ouvir com o Real Player G2 (1.285 kB)

Ouvir no formato MPEG3 (4.876 kB)
Ciências Regionais da América Latina
Julia Wiechmann: "Estudei dois semestres em Lisboa, um semestre no Brasil em Fortaleza no Ceará,
fiz um estágio de três meses em Brasília na embaixada da Alemanha e fiz um estágio de
seis semanas em Moçambique."
Martin Heiden: "Eu estive seis meses em Portugal em Lisboa. Eu estudei no ISEG. E depois actualizei
um roteiro turístico sobre Portugal."
Jutta Wasserrab: "Eu estive 15 meses no Rio de Janeiro trabalhando numa creche. Fiquei seis meses em Lisboa,
Portugal durante os estudos e também estudei no ISEG. E depois estudei no Brasil em São Paulo. Isso
foi no ano passado mais seis meses."
Julia Wiechmann, Martin Heiden e Jutta Wasserrab estudam "Ciências Regionais da América Latina"
("Regionalwissenschaften Lateinamerika") na Universidade de Colónia. Com mais de 1.000 estudantes
é o maior curso de graduação na Alemanha especializado na América Latina. Existe desde
1989 e consiste numa combinação interdisciplinar de quatro matérias:
- primeiro, Literatura e Linguística Espanhola e Portuguesa;
- segundo, História da América Latina e da Península Ibérica;
- terceiro, Ciências Políticas;
- quarto e último: Economia.
Esta combinação de quatro áreas tão diferentes não é muito comum na
Alemanha: apenas na Universidade de Münster existe um curso parecido sobre a América Latina, mas com
muito menos estudantes. Todos os outros cursos alemães especializados na América Latina estão
integrados nos currículos tradicionais, como por exemplo economia em Tübingen ou literatura em Berlim.
"Ciências Regionais da América Latina" foi criado segundo o seguinte princípio: os
estudantes participam nas aulas dos quatro cursos de Ciências Regionais. Significa que muitas das cadeiras
não tratam de temas latinoamericanos, mas sim de métodos gerais e de temas europeus. Isto acontece
sobretudo em economia, diz o estudante Martin Heiden:
"Em história e em português ou em espanhol e também em política há tantas
coisas sobre a América Latina, Portugal ou Espanha. Só na economia só há poucas. A
economia é mais geral."
Para a estudante Jutta Wasserrab, o número pequeno de temas latinoamericanos nas cadeiras de economia tem
duas razões:
"Em primeiro lugar os professores da Faculdade de Economia não têm interesse na América
Latina. E tem uma outra coisa: eles acham que a economia é igual para todos os países. Não
precisa diferenciar."
Para o professor de literatura portuguesa, Claudius Armbruster, o problema é que o curso interdisciplinar
de Ciências Regionais não cabe nas estruturas tradicionais da Universidade de Colónia:
"Tenho a impressão que o problema maior é de encaixar o currículo novo numa estrutura
que já tem muitas décadas de tradição. E isso causa um certo distúrbio no processo
de adaptação."
No que concerne a sua Faculdade de Letras, Claudius Armbruster opina que o interesse para as questões socio-económicas
da América Latina aumentou com o novo curso:
"Trouxe mais interesse numa faculdade que tradicionalmente tem um interesse maior nas questões tradicionais
de literatura, de filologia e de história e que com esse curso se abriu mais para novos horizontes."
Para muitos estudantes, o esforço de estudar quatro matérias tão diferentes ao mesmo tempo
é muito grande. Outro ponto que complica a vida dos estudantes é a falta de uma orientação
mais detalhada por parte da universidade - por exemplo não existe uma coordenação dos horários
de aulas entre os diferentes departamentos. Resultado: uma taxa muito alta de insucesso universitário. Mais
de metade dos alunos abandona o curso antes dos exames finais.
Mas para os estudantes que não desistiram do curso, os esforços valem a pena. Ouvimos Jutta Wasserrab,
que estuda Ciências Regionais há dez semestres, e Julia Wiechmann, que está no sétimo
semestre, sobre as vantagens desse curso tão pouco tradicional:
Jutta Wasserrab: "O ponto forte é que é realmente um curso interdisciplinar. Quer dizer,
você não é muito especializado em uma matéria só. Você vai aprender sobre
a língua, você sabe um pouco de cultura, você sabe da economia e consegue ligar todas essas
áreas."
Julia Wiechmann: "Outro ponto forte do nosso curso é que nós podemos facilmente adaptar-nos
a novas situações, novas tarefas e a novos trabalhos."
Professor Claudius Armbruster também observou a flexibilidade dos estudantes de Ciências Regionais
nas suas aulas:
"Em geral eu acho que os estudantes são flexíveis e têm um interesse mais abrangente
das questões em relação à América Latina e também em relação
à Europa Ibérica, para assim dizer. Têm que trabalhar também um pouco mais em áreas
que normalmente não se estudam juntas."
Sinal da flexibilidade dos estudantes é o facto de que uma das primeiras finalistas de Ciências Regionais
da América Latina foi contratada pela fundação alemã "Konrad-Adenauer-Stiftung"
para trabalhar em África.
Este interesse pela África não é a regra, mas de facto há aulas de português
em que são tratadas questões dos PALOP, como por exemplo fenómenos linguísticos do
português falado no continente africano ou a literatura portuguesa sobre a África. Julia Wiechmann,
que passou seis semanas em Moçambique, observa que conhecimentos sobre América Latina - e especialmente
sobre o Brasil - podem ajudar a entender melhor os PALOP e vice-versa:
"A História da América Latina em grande parte está ligada à história
da África, quando se pensa na escravatura, por exemplo. Achei interessante em Moçambique ver a influência
cultural ao nível da música e da televisão do Brasil e ver a influência política
de Portugal."
Pode ser uma surpresa, mas também há vários estudantes da América Latina e dos países
ibéricos que estudam Ciências Regionais em Colónia. Jutta Wasserrab explica porque que razão
eles não escolheram faculdades dos seus países de origem:
"Já ouvi os estudantes falarem que nos próprios países as vezes nem existem estes
cursos. As vezes, por exemplo, a história é muito a história da Europa e poucas vezes é
a história da América Latina. Ou são pessoas que nem cresceram na América Latina e
moram aqui e que têm um pai ou uma mãe de lá e que querem saber mais dessa raíz."
Um dos pontos comuns entre os estudantes de Ciências Regionais é que quase todos já viveram
algum tempo no estrangeiro. Muitos já antes de entrar na faculdade. E não são poucos os que
escolheram Ciências Regionais exactamente por isso. Muitos prestaram serviço social voluntário
no estrangeiro antes de optarem por estudar Ciências Regionais da América Latina. Por exemplo há
estudantes que trabalharam com meninos de rua na Colômbia, na Argentina ou no Chile. Outros participaram
em intercâmbios escolares com o Brasil, Espanha ou Portugal.
Embora não seja obrigatório, quase todos os estudantes fazem um ou mais estágios na América
Latina durante o curso. Vários já passaram pelas fundações políticas ou pelas
câmaras de comércio alemãs na América Latina ou ainda por empresas multinacionais como
a Daimler-Chrysler, a Volkswagen ou a Unilever.
Muitos também estudam um ou mais semestres em universidades latinoamericanas ou ibéricas. A Universidade
de Colónia tem convénios com faculdades em Portugal, Espanha, Argentina, Brasil e México.
Por exemplo, em Portugal, com o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e com a Universidade Clássica
de Lisboa. Para facilitar a estadia no estrangeiro a Universidade de Colónia oferece várias bolsas,
como o programa Socrates/Erasmus da União Europeia.
Parece que as empresas recompensam tanta experiência com outras culturas, línguas e países.
Como observou professor Claudius Armbruster os mais de 200 estudantes que já terminaram o curso foram bem
recebidos no mercado de trabalho:
"Em relação às primeiras turmas que terminaram o curso se pode dizer que o mercado
de trabalho aceitou bem esses estudantes bem formados. Temos que ver agora como vai ser no futuro quando terá
mais estudantes que terminarão o curso, se temos suficientemente postos, empregos para eles."
Segundo uma sondagem da Faculdade de Letras, feita neste ano, a maioria dos finalistas se concentra em três
áreas:
- primeiro, mais de um terço dos finalistas trabalha na administração e gestão de
empresas, por exemplo em bancos ou em empresas multinacionais como a Siemens;
- segundo, cerca de um quinto encontrou emprego como jornalistas, como por exemplo na Deutsche Welle;
- terceiro e último, cerca de quinze por cento foram contratados por organizações internacionais,
ministérios, câmaras de comércio ou organizações não-governamentais como
a Cruz Vermelha.
Enquanto a maioria trabalha na Alemanha, alguns dos finalistas encontraram emprego na América Latina.
Há por exemplo um que trabalha na Câmara de Comércio Brasil-Alemanha em São Paulo e
outro que é consultor do Ministério de Economia do Perú.
E realmente, muitos estudantes de Ciências Regionais da América Latina sonham voltar para um país
latinoamericano ou ibérico depois de terem terminado o curso. Vamos ouvir Martin Heiden e Jutta Wasserrab:
Martin Heiden: "Gostaria muito de trabalhar alguns anos em Lisboa ou no Porto em Portugal."
Jutta Wasserrab: "Minha cidade preferida no Brasil seria São Paulo para trabalhar e para viver queria
o Rio de Janeiro."
Apresentação de Joaquim Gonçalves
Redação Johannes Beck
 
Diese Seite wurde erstellt von Johannes
Beck am 10.12.1999
|