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Exposição

- Orinoco-Parimá -

Um pajé dança a volta de uma doente, acariciando-a e cantando para curá-la. E isso duzentos metros do antigo parlamento alemão em Bonn? É desde agosto de 1999 que o „Kunst- und Ausstellungshalle“, o Pavilhão Nacional das Artes de Bonn, apresenta as culturas indígenas do sul da Venezuela.

Na exposição „Orinoco-Parimá“ estão reunidos mais de mil e quatrocentos objetos de doze sociedades que vivem entre o alto Orinoco e a Serra Parimá. Entre os objetos se encontram muitas cestas de palha, canudos para soprar de três metros de cumprimento e adornos coloridos de penas. Além disso há vídeos que mostram cenas da vida dos indígenas e terrários com animais representativos da região como sapos venenosos.

Quem reuniu esta coleção foi o venezuelano Edgardo González Niño de oitenta anos. Durante a ditadura de Pérez Jiménez fugiu, nos anos cinqüenta, da capital Caracas para o sul inacessível da Venezuela. Viveu com várias tribos indígenas e começou a colecionar objetos. Segundo Edgardo González Niño, o objeto mais difícil de conseguir foi uma pequena canoa dos Yanomami: “Foi um objeto que não tive muita vontade de conseguir, mas que precisei para a coleção. É uma pequena canoa de madeira onde trituram depois da cremação os ossos dos mortos e que, em seguida, destroem completamente. E eu trouxe a canoa, mas me arrependo, porque respeito muito as suas crenças.”

Edgardo González Niño acrescentou que conseguiu roubar a pequena canoa sem os Yanomami se darem conta disso. Escondeu-a embrulhado e folhas e levou-a na sua canoa grande até a cidade mais próxima, Puerto Ayacucho.
Mesmo tendo feito esse roubo Edgardo González Niño juntou a sua coleção com a intenção de defender as culturas indígenas. Em 1964 apresentou os objetos pela primeira vez ao público em Caracas – foi a primeira exposição da Venezuela sobre povos indígenas. Em 1988 vendeu a coleção à Fundação Cisneros do grupo televisivo venezuelano Cisneros, que começou com a sua catalogação sistemática.

A responsável venezuelana da coleção, Lelia Delgado, conta que a fundação decidiu expor os objetos no Pavilhão Nacional de Artes e não num museu etnográfico por causa do prestígio da “Kunst- und Ausstellungshalle”: “A Fundação Cisneros escolheu este lugar porque é uma das melhores formas de difundir as culturas da região do Amazonas e da Venezuela na Europa.”

»Não queríamos colocar uma única etiqueta«

O Pavilhão Nacional de Artes decidiu apresentar os objetos de uma forma inovador: não separados pelas diferentes sociedades indígenas, e sim separado pelas diferentes etapas da vida: nascer, crescer, caçar, alimentar, morrer etcetera. A antropóloga e curadora da exposição, Gabriele Herzog-Schröder, diz que pretendia realçar as coisas comuns na variedade das culturas diferentes: “Não queríamos colocar uma única etiqueta para muitas sociedades diferentes. Queríamos mostrar as suas particularidades sem obrigar o visitante saber distinguir todas elas. Para mim o mais importante é que os visitantes comecem a gaguejar quando dizem ‘os índios’, porque não há ‘os índios’, e sim muitas culturas diferentes.”

A coleção é, segundo Gabriele Herzog-Schröder, também representativa para as culturas indígenas do norte do Brasil. Já que algumas das tribos apresentadas na exposição como os Yanomami vivem nos dois lados da fronteira.
O outro curador da exposição, Stephan Andreae, ficou surpreendido com a boa recepção por parte do público alemão. Em novembro a “Kunst- und Ausstellungshalle” contou cerca de 1.000 visitantes por dia e teve que duplicar a oferta de visitas guiadas para crianças por causa da grande procura.

A Fundação Cisneros já ofereceu a coleção desde há três anos à “Kunst- und Ausstellungshalle”. Mas o Pavilhão Nacional de Artes decidiu esperar até a exposição sobre o cientista alemão Alexander von Humboldt, que ocorre paralelamente por ocasião do bicentenário da viagem de Humboldt à América do Sul.

Para quem quiser visitar a exposição: ela ainda se encontra aberta até o dia 27 de fevereiro de 2000 na “Kunst- und Ausstellungshalle” em Bonn (mais informações na internet no endereço www.kah-bonn.de)

Johannes Beck

 

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Diese Seite wurde erstellt von Martin Heiden am 21.02.2000