O investimento estrangeiro direto contribui ou não para o desenvolvimento sustentável?- Investimento Estrangeiro Direto e Proteção ao Meio-Ambiente -Durante muitos anos encarou-se o investimento estrangeiro direto em países em vias de desenvolvimento como fonte de poluição. Mas agora as opiniões começam a mudar. Nos anos 70, uma empresa norte-americana reconstruiu em Cubatão, Estado de São Paulo, uma refinaria ultrapassada, que teve que ser desativada nos Estados Unidos por seu elevado nível de poluição. Assim, fez de Cubatão um dos lugares mais poluídos e menos salubres do Brasil. Casos como este contribuíram para uma imagem negativa do investimento estrangeiro direto em países em vias de desenvolvimento, como se estes fossem um Paraíso para a Poluição (Polution haven). Mas também há empresas de países industrializados que trazem tecnologias modernas e limpas para os países emergentes. Em Genebra, um seminário da Organização das Nações Unidas do Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) tentou avaliar, no dia 15 de novembro de 1999, a contribuição do investimento estrangeiro direto para o desenvolvimento sustentável. Estiveram presentes delegados dos países membros da UNCTAD, de organizações internacionais, cientistas e representantes de empresas transnacionais como a Bosch Siemens Hausgeräte (BSH) da Alemanha. A BSH é o maior fabricante de eletrodomésticos na Europa Ocidental conhecido por várias marcas tradicionais e inúmeros produtos. Foi a primeira empresa mundial a substituir completamente, na produção de geladeiras, o uso de gases nocivos para a camada de ozônio e o clima. Na Alemanha essa substituição começou em 1994, chegando este ano às quatro fábricas brasileiras da BSH. O chefe do departamento de proteção ao meio-ambiente da empresa, Herbert Mrotzek, explica o porquê da demora: A razão é que na América Latina não havia os compressores que precisávamos para essas geladeiras. Por isso, fizemos programas especiais para os nossos fornecedores latino-americanos e hoje eles já fabricam estes compressores. Segundo Herbert Mrotzek, isso permitiu a BSH introduzir uma nova série de geladeiras no mercado brasileiro. Desenvolvimento e meio-ambiente são compatíveisPara Andrés López, do Centro de Investigações para a Transformação, com sede em Buenos Aires, os países em vias de desenvolvimento deveriam implementar normas ambientalistas mais rigorosas para não atrair investimentos sujos: Em muitos países em vias de desenvolvimento acha-se que o meio-ambiente e o desenvolvimento são duas coisas incompatíveis e que é preciso sacrificar uma delas. Mas Andrés López tem uma advertência para estes países: O investimento estrangeiro que procura países com normas ambientais pouco exigentes não vai poder generar exportações para países industrializados, precisamente por não usar tecnologias limpas. Por melhores que sejam, as leis não servem para nada se não são cumpridas, diz ainda Andrés López, acrescentando que isso acontece freqüentemente no países do Mercosul. Charles Arden Clarke, chefe do departamento de comércio e investimento da organização ambientalista World Wide Fund (WWF), também sublinhou a importância de normas ambientalistas rigorosas e lembrou a importância de acordos internacionais: Acho que precisamos de regras multilaterais sobre o investimento estrangeiro direto. Podia-se começar a implementar tais regras nas Nações Unidas. Para Charles Arden Clarke, a ONU tem a combinação das instituições necessárias: seus programas para o meio-ambiente (UNEP), o desenvolvimento (UNDP) e a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD). O poder dos consumidoresNa falta de regulamentações nacionais e multilaterais, Clarke acha que os consumidores podem impedir investimentos não-sustentáveis, deixando de comprar os respetivos produtos. O ambientalista lembrou ações de boicote que tiveram sucesso, como no caso da empresa norte-americana Monsanto com os transgênicos ou a Shell com a plataforma de petróleo que pretendia afundar e sua extração poluente na Nigéria. Uma coisa, porém, é certa: a imagem negativa do investimento estrangeiro exportando somente tecnologias obsoletas e poluentes já não se justifica. Mas será necessário realizar mais estudos empíricos para comprovar se o investimento estrangeiro direto contribui de fato para o desenvolvimento sustentável. Johannes Beck Diese Seite wurde erstellt von Martin Heiden am 21.02.2000 |